
Moisés Neto
Frontend Engineer · Manaus, Brasil · remoto
Comecei cedo, sem saber que aquilo tinha nome de profissão.
Passava horas desmontando e montando computadores em casa, lendo os livros de tecnologia do meu pai e tentando entender como as coisas funcionavam por baixo da superfície. Uma das minhas obsessões era descobrir como jogos eram feitos. Lembro de passar tardes pesquisando sobre DOOM, Zelda e outros clássicos só para entender o que acontecia por trás da tela.
A matemática veio junto nessa época. Durante a faculdade estudei cálculo com a ideia de trabalhar em projetos que unissem desenvolvimento e matemática aplicada. Essa vontade nunca desapareceu; apenas continua esperando o projeto certo aparecer.
Antes de chegar ao desenvolvimento web, experimentei um pouco de tudo. Em projetos acadêmicos trabalhei com Java, C, C++, C# e até alguns experimentos com Fortran. Usei Python para automatizar tarefas, manipular planilhas e coletar dados. Também passei por Unity, Angular e Vue em projetos de estudo. Foi nesse caminho que encontrei JavaScript e, mais tarde, React.
Um dos momentos mais marcantes dessa fase aconteceu em 2021, quando participei da NoneJam 2. Entrei atrasado, fiz sozinho todos os sprites dos monstros durante uma única noite e desenvolvi o jogo usando GameMaker. O resultado ficou longe de ser perfeito, mas foi a primeira vez que vi algo que eu havia criado sendo utilizado e avaliado por outras pessoas. O jogo ficou em segundo lugar na categoria de adesão ao tema e entre os mais bem colocados em diversão. Mais importante que qualquer colocação foi conhecer outras pessoas que também estavam começando e descobrir como ideias simples podiam se transformar em algo jogável.
Minha primeira experiência profissional veio na i_mais, um provedor de internet do Amazonas, onde trabalhei no desenvolvimento de aplicações web e mobile. Foi ali que vi pela primeira vez um sistema crescer de verdade e ser utilizado em larga escala.
Também foi lá que surgiu outra área pela qual continuo interessado até hoje: chatbots. Além de programar, comecei a desenhar fluxos de conversa, analisar dados de utilização e investigar pontos de abandono. Aprendi que muitas vezes o problema não está no código nem na interface, mas no caminho que a pessoa precisa percorrer para chegar ao resultado. Foi quando passei a olhar produtos pelo comportamento dos usuários, não apenas pelas telas.
Ao longo dos anos evoluí de desenvolvedor júnior para frontend engineer, incluindo uma experiência liderando uma equipe de cinco pessoas. Passei a participar de decisões de arquitetura, definição de stack, padrões de desenvolvimento e processos de qualidade, sempre com foco em criar sistemas que continuem fáceis de evoluir meses depois de serem entregues.
Hoje trabalho principalmente com React e TypeScript, mas continuo acreditando que tecnologia é ferramenta, não identidade. A linguagem muda, os frameworks mudam e as tendências mudam. O que permanece é a capacidade de entender problemas e construir soluções.
Também utilizo inteligência artificial como ferramenta de apoio no dia a dia: revisão de código, geração de testes, investigação de bugs e automação de tarefas repetitivas. Mas as decisões continuam sendo humanas. IA acelera a execução; responsabilidade, arquitetura e visão de produto continuam sendo trabalho do engenheiro.
Este blog existe pelo mesmo motivo que me fazia desmontar computadores anos atrás: curiosidade e entender como de fato as coisas funcionam por debaixo dos panos.
Não escrevo para vender fórmulas prontas nem para fingir que existe um único jeito correto de construir software. O que você vai encontrar aqui são experiências, erros, aprendizados e decisões reais tomadas durante projetos reais.
No que trabalho
- Interface em React, Next.js e TypeScript
- Arquitetura de frontend e padrão de time
- Teste ponta a ponta rodando no CI a cada PR
- IA na entrega: revisão de PR, teste e triagem
- Produto do zero: requisitos, UI e deploy
Com o que gosto de mexer
- Melhoria contínua de processo e ferramenta
- Arquitetura de software e decisão técnica
- Fluxo conversacional: desenhar, medir e corrigir
- Ferramenta nova e o efeito dela na rotina
O que eu escrevi até agora está tudo em um lugar só.
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